terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para Você

Fico pensando como seria se eu te chamasse pra sair, assim de cara lavada. Fico passeando entre as minhas lembranças, entre as vezes em que valeu a pena chamar alguma garota pra sair, e outras em que não valeu o jantar barato.
Também penso nas vezes em que a expectativa não teve nada a ver com o que foi acontecer. De vez em quando se espera muito de alguém ou de uma ocasião, um encontro, e o que se vive é, entretanto, um fiasco. Desanima. Mas a graça da vida se mostra quando de algo bem incerto e do qual não se espera muito acaba por se revelar a coisa certa a ser feita. Aquelas vezes em que você fica bobão e acha que encontrou a pessoa certa pra si.

Simplesmente te chamar pra sair seria um disparate tremendo, a cereja de um bolo de quebras de protocolo... Seria como cair na porrada com alguém e, sorridente, 5 minutos depois, tirar fotos amistosas com essa mesma pessoa (e conto essa história esquisita pois vi acontecer tem pouco!). Faltam buracos na nossa história que, de maneira torta, ou à sua própria maneira, tratou de no fim contas já estar bem recheada antes mesmo de um convite formal pra sair. Não bastasse, o que temos em comum é sim forte, mas é tão estranho que nem nós mesmos ousamos imaginar muito a possibilidade de isso virar paixão. Temos potencial pra ser Ganso e Neymar, mas eles não se pegam, oras! Ainda assim já usamos muito da nossa arte pra tabelar um flerte que, se é presunçoso e marrento, também é vistoso e moleque.

E fazendo firula, mentimos. Mas a mentira é serpente que morde, e vez por outra levamos um bote, estremecemos e suspiramos diferente, sem que percebamos que já não temos o controle sobre as coisas. Nunca tivemos, e, espertos que somos, até sabemos que, se temos controle sobre alguma coisa, decerto não é sobre o que nos passa. Por isso que se eu te chamar pra sair talvez acabe ouvindo um sim.

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