Fico pensando como seria se eu te chamasse pra sair, assim de cara lavada. Fico passeando entre as minhas lembranças, entre as vezes em que valeu a pena chamar alguma garota pra sair, e outras em que não valeu o jantar barato.
Também penso nas vezes em que a expectativa não teve nada a ver com o que foi acontecer. De vez em quando se espera muito de alguém ou de uma ocasião, um encontro, e o que se vive é, entretanto, um fiasco. Desanima. Mas a graça da vida se mostra quando de algo bem incerto e do qual não se espera muito acaba por se revelar a coisa certa a ser feita. Aquelas vezes em que você fica bobão e acha que encontrou a pessoa certa pra si.
Simplesmente te chamar pra sair seria um disparate tremendo, a cereja de um bolo de quebras de protocolo... Seria como cair na porrada com alguém e, sorridente, 5 minutos depois, tirar fotos amistosas com essa mesma pessoa (e conto essa história esquisita pois vi acontecer tem pouco!). Faltam buracos na nossa história que, de maneira torta, ou à sua própria maneira, tratou de no fim contas já estar bem recheada antes mesmo de um convite formal pra sair. Não bastasse, o que temos em comum é sim forte, mas é tão estranho que nem nós mesmos ousamos imaginar muito a possibilidade de isso virar paixão. Temos potencial pra ser Ganso e Neymar, mas eles não se pegam, oras! Ainda assim já usamos muito da nossa arte pra tabelar um flerte que, se é presunçoso e marrento, também é vistoso e moleque.
E fazendo firula, mentimos. Mas a mentira é serpente que morde, e vez por outra levamos um bote, estremecemos e suspiramos diferente, sem que percebamos que já não temos o controle sobre as coisas. Nunca tivemos, e, espertos que somos, até sabemos que, se temos controle sobre alguma coisa, decerto não é sobre o que nos passa. Por isso que se eu te chamar pra sair talvez acabe ouvindo um sim.
reticente
ResponderExcluiraté ...
lá.