quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Dama do Lago

Eu não deveria. Pior, eu havia me prometido que não iria. Andam a minha mente e o meu corpo cansados, precisando de reabilitação. Mas hoje vou abrir uma cerveja antes de dormir.

Não é qualquer cerveja. É uma Eisenbahn Dama do Lago, Strong Dark Ale com
imponentes e tentadores 9% de álcool. Sendo edição esgotada de um produto não mais
fabricado, e última garrafa do estoque de seis que fiz há poucos meses, nunca mais
tomarei dessa deliciosa cerveja. E hoje não é nenhum dia especial ou de celebração, é um dia comum e até meio ruim. Abro-a, no entanto, sem nenhuma culpa.

Esse comportamento se repete em minha vida, e começo a entendê-lo com mais precisão.
Há coisas que não devo fazer, há ocasiões em que o silêncio ou a sombra é o melhor abrigo. Tentado pela paixão que sinto em viver, vou e faço. Vou e falo. Prefiro o muito e trágico ao pouco e correto. Não que eu de fato prefira, assim friamente, mas é o que meus atos parecem demonstrar.

E pensando assim, possivelmente acertando mas já quase me distraindo, eu não poderia prever, mas tudo começaria a mudar depois dessa cerveja. Cerveja que eu nunca cheguei a abrir. Não hoje.

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